"Eu me demito!"

O que a Grande Renúncia tem a nos ensinar sobre as perspectivas do Mercado de Trabalho?






Iniciada nos Estados Unidos, a Grande Renúncia (ou em inglês The Great Resignation) foi um movimento percebido em 2021, que se caracterizou por uma  onda de pedidos de demissão voluntária e em massa por todo país, e esse fato também foi percebido no Brasil, o que levou especialistas a se questionarem sobre esta mudança no comportamento dos trabalhadores.


O que podemos pensar sobre esse aumento de pedidos de demissão logo depois das mudanças no trabalho decorrentes da pandemia?


Nas próprias redes sociais houve um aumento muito grande de pessoas que começaram a (re)descobrir possibilidades de trabalhar por meio da internet, através do Marketing Digital, lojas online e até mesmo como influenciadores digitais. Muitos inclusive, perceberam que depois que suas casas passaram a ter o espaço de trabalho como realidade, se adaptaram e não quiseram abrir mão desse conforto e voltar à rotina dos escritórios, e aí é que começa o movimento da Grande Renúncia.


Esse foi inclusive o caso de quem vos escreve, que sem saber, participei desse movimento de pessoas que pediram demissão no final de 2021, logo ao perceber que deveria retornar a jornada presencial na minha antiga empresa.



Dentre os diversos motivos, um deles foi a preferência pelo home office, mas também fiz meus próprios questionamentos: a função que estou cumprindo agrega para minha carreira a longo prazo? Vejo perspectiva real de crescimento? Meu salário está de acordo com a produtividade que realizo diariamente? Consigo conciliar minha vida e saúde mental com o trabalho? 


Como já dei o spoiler do que aconteceu, é fácil chegar a conclusão que a maioria das respostas foram negativas.


É até estranho pensar que esse movimento tem acontecido também no Brasil, tendo em vista números cada vez maiores de desempregados pelo país. É certo que, com o advento da pandemia, diversas pessoas começaram a buscar mais sentido em suas próprias vidas, muitas vezes motivadas por situações extremas como a  perda de entes queridos. Uma espécie de epifania que se levanta sobre várias questões: “Para que estar num emprego que não traz nenhuma motivação? Vai que morro antes de ter aproveitado a vida?”


O Blue Management Institute (BMI) fez um levantamento no qual identificou que a maior parte dos brasileiros participantes dessa onda são os que possuem maior grau de escolaridade. 


Segundo a pesquisa, são cerca de 500 a 600 mil pessoas mensalmente pedindo demissão no Brasil, desde o mês de janeiro deste ano. Dentre os motivos mais listados estão: a busca pelo trabalho híbrido ou home office;  realização pessoal na carreira; ambiente de trabalho e cultura organizacional que incentive a diversidade, inclusão e flexibilidade.


Para além do coronavírus, que mudou o estilo de vida de muitas pessoas, é importante também levar em conta as mudanças entre as gerações.

Não é de se espantar que as pessoas de maior escolaridade no Brasil, principalmente depois do aumento da escolaridade de muitos brasileiros a partir dos Millenials - que tenderá a se estender para a geração Z em diante - estejam se redescobrindo e mudando o cenário no mercado de trabalho.



Seria a geração que questionou e decidiu renunciar ao emprego? As pessoas perceberam que o método “estudar mais e dar o seu melhor” em algumas empresas não necessariamente as fazem crescer, seja de cargo ou salário, pelo menos não na rapidez em que as mudanças aparecem no ambiente de trabalho. Para além disso, a exigência pela alta produtividade é uma realidade  que  aumenta cada vez mais, devido à complexidade dos cargos e volatilidade do mercado.


Ao contrário das gerações anteriores, que se mantinham no emprego em busca de estabilidade, as novas gerações levam em conta cada vez mais a saúde mental como fator de escolha de trabalho.


Esse movimento de renúncia requer muitas reflexões sobre o que as pessoas tem buscado ao trabalhar numa empresa, já que as possibilidades na internet também aumentaram para quem deseja atuar de forma autônoma. No meio de tanta informação e cada vez mais a ampliação de tecnologias, levar em conta a humanização tem sido essencial nas empresas.


É possível pensar então na melhoria do mercado de trabalho? É o momento das empresas pensarem em novas formas de sociabilidade, remuneração, treinamento e plano de carreira como fatores primordiais. Para além do salário (que também é importante, diga-se de passagem) as pessoas também querem ser ouvidas e reconhecidas. O movimento da Grande Renúncia veio para mostrar que se faz urgente repensar o que é feito na rotina, no crescimento e no bem estar das pessoas.



Para as empresas fica a necessidade de reforma estrutural, enquanto para as pessoas surgem os questionamentos e reavaliação das suas escolhas de carreira. E você, já reconsiderou seu emprego atual por um destes motivos, ou chegou a participar desse movimento assim como eu?


Afinal, no fundo de tudo isso, todo mundo só quer ser feliz, acreditar no que realiza, e viver tranquilamente não é mesmo?!



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